Parece fácil criar um produto. Difícil é criar o produto certo.
- Arla Farias
- há 14 horas
- 2 min de leitura
À primeira vista, montar um produto pode parecer simples. Uma boa ideia, uma dor percebida no mercado, um time técnico disponível e pronto: nasce um aplicativo, uma plataforma ou um SaaS. Em poucos meses, algo já está de pé. O problema é que colocar um produto no ar não significa, necessariamente, colocar valor no mercado.
É justamente nesse ponto que muitas empresas tropeçam.
Existe uma diferença enorme entre construir um produto e construir o produto certo para o público certo. E essa diferença quase sempre está naquilo que acontece antes da primeira linha de código: a pesquisa.
Por trás de todo produto que realmente resolve um problema existe um processo de entendimento profundo do usuário, do contexto de uso, das alternativas já existentes e das reais motivações de compra. Quando esse processo é ignorado ou tratado como burocracia, o risco aumenta. O time começa a desenvolver com base em suposições, referências internas e experiências pessoais e não em evidências reais do mercado.
Mesmo quando falamos de MVP, isso não muda.
Um MVP não é uma versão “incompleta” feita no escuro. Ele é uma versão intencionalmente reduzida, construída para validar hipóteses específicas. Para isso funcionar, é preciso saber quais hipóteses estão sendo testadas. Caso contrário, o MVP vira apenas um produto pequeno, mas igualmente mal direcionado.
É comum ver empresas lançando MVPs cheios de dúvidas, mas sem clareza sobre o que exatamente precisa ser aprendido. O resultado é previsível: feedbacks confusos, dados difíceis de interpretar e decisões tomadas novamente no achismo. O ciclo se repete, só que agora com custo acumulado.
Pesquisa não é sinônimo de engessar inovação, pelo contrário. Uma boa pesquisa traz foco, reduz desperdício e acelera decisões. Ela ajuda a responder perguntas fundamentais antes de ir ao mercado:
Quem é, de fato, o público-alvo?
Qual problema é prioritário resolver agora?
Como esse problema é resolvido hoje?
O que faria alguém trocar a solução atual pelo seu produto?
Quando essas respostas existem, mesmo que ainda incompletas, o desenvolvimento ganha direção. O produto passa a ser construído com propósito, e não apenas com expectativa.
Outro ponto crítico é entender que pesquisa não acontece uma única vez. Ela não termina antes do MVP. Ela continua durante os testes, evolui com o uso real e amadurece conforme o produto cresce. A diferença é que, quando existe um ponto de partida bem definido, os aprendizados se conectam. As decisões deixam de ser reativas e passam a ser estratégicas.
Na LM for Business, vemos isso com frequência: empresas que chegam com produtos tecnicamente bem executados, mas que não performam como esperado. Quase sempre, o problema não está na tecnologia, mas na ausência de direcionamento claro desde o início. Falta entendimento do usuário, do problema e do valor que realmente importa.
Criar um produto não é sobre velocidade de entrega, mas sim sobre clareza de intenção. Mesmo quando ainda existem dúvidas, e elas sempre existirão, é possível ir ao mercado com mais consciência, mais foco e menos risco.
No fim, produtos bem-sucedidos não nascem de sorte, eles nascem de decisões melhores, feitas antes, durante e depois da construção. E quase todas essas decisões começam com uma boa pergunta, sustentada por pesquisa, não por achismo.
